Preso pela segunda vez, o empresário Daniel Vorcaro enfrenta um dos momentos mais delicados de sua trajetória institucional. De acordo com informações divulgadas pela jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, advogados ligados ao caso e integrantes do Judiciário avaliam que o dono do Banco Master pode não suportar uma prisão prolongada, o que recolocou nos bastidores a possibilidade de um acordo de colaboração premiada.
A situação se complica porque o processo está sob relatoria do ministro André Mendonça, que, segundo fontes do meio jurídico, não costuma recuar em decisões desse tipo. A segunda prisão ocorreu após a Polícia Federal apontar que Vorcaro teria utilizado celulares escondidos para intimidar testemunhas e jornalistas, circunstância que dificulta qualquer tentativa de apresentar uma colaboração como espontânea.
Nos bastidores de Brasília, o receio não gira apenas em torno do banqueiro, mas das conexões acumuladas ao longo dos últimos anos. Vorcaro transitou com desenvoltura entre autoridades do Banco Central do Brasil, ministros do Supremo Tribunal Federal, parlamentares e integrantes do governo federal. Uma eventual delação detalhada sobre essas relações poderia atingir diversas esferas do poder. Em ambientes políticos, quando um investigado parece disposto a falar, o silêncio ao redor costuma crescer na mesma proporção do que ele sabe.









