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Fotógrafo flagra Alexandre de Moraes sorrindo ao final de sessão do STF que adiou decisão sobre possível investigação

O fotógrafo Wilton Junior, do Jornal “O Estado de São Paulo”, flagrou o ministro Alexandre de Moraes sorrindo ao final da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15/09), que terminou sem uma definição sobre a possibilidade de abertura de uma investigação relacionada à relação do magistrado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

O registro foi feito depois de horas de uma sessão marcada por divergências entre ministros, discussões sobre o relatório da Polícia Federal e um pedido de vista do ministro Flávio Dino, que interrompeu a análise do caso. A fotografia chamou atenção justamente por mostrar Moraes sorrindo no encerramento de uma sessão na qual o STF deixou para depois uma decisão sobre os desdobramentos das informações reunidas pela PF.

PF reuniu 52 mensagens ligadas a Moraes e Vorcaro

No centro da discussão está um relatório produzido pela Polícia Federal a partir de dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro. O documento reúne 52 mensagens registradas entre dezembro de 2023 e novembro de 2025 e outros elementos que foram usados pela PF para reconstruir a relação entre o ex-banqueiro e Moraes.

A extração, porém, tem uma particularidade importante: segundo as informações divulgadas sobre o relatório, o material recuperou principalmente mensagens enviadas por Vorcaro para um número salvo no aparelho como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. As eventuais respostas enviadas por Moraes não foram recuperadas da mesma maneira, porque as conversas utilizavam recursos de visualização única e textos produzidos em outro aplicativo.

Por isso, o conteúdo permite identificar diversos contatos e pedidos feitos por Vorcaro, mas não comprova, por si só, que todos os pedidos tenham sido atendidos por Moraes.

Pedidos de ajuda e contatos com autoridades

Segundo o relatório divulgado pela PF, Vorcaro procurou Moraes em diferentes momentos enquanto enfrentava problemas relacionados ao Banco Master e acompanhava as investigações que acabariam levando à sua prisão.

As mensagens incluem pedidos relacionados às investigações e referências a autoridades como o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em determinados trechos, Vorcaro teria buscado auxílio para obter informações e interferir no andamento de medidas que poderiam atingir o banco.

O material também registra encontros pessoais entre Moraes e Vorcaro. A PF reuniu ainda informações sobre contatos e outros elementos que, segundo a investigação, ajudaram a estabelecer a proximidade entre os dois.

Contratos milionários com escritório da esposa de Moraes

Outro ponto que aparece no relatório envolve o escritório Barci de Moraes, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.

Segundo informações divulgadas a partir do material da PF, o escritório firmou em 2024 um contrato com o Banco Master no valor de aproximadamente R$ 131 milhões. O acordo previa pagamentos mensais ao longo de 36 meses.

Também aparece uma segunda proposta, de aproximadamente R$ 50 milhões, envolvendo cotas de aeronaves. As informações sobre os contratos passaram a fazer parte do conjunto de elementos analisados no contexto da relação entre Vorcaro, o banco e o entorno profissional de Moraes.

A existência dos contratos, entretanto, não significa automaticamente que tenha havido irregularidade. O que está sendo discutido pelo STF é justamente se os elementos reunidos justificam a abertura de uma investigação para apurar os fatos.

Sessão teve confronto entre ministros

A análise desta terça-feira foi marcada por fortes divergências entre os ministros. O clima no plenário se intensificou durante a discussão sobre a condução dos processos envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça.

Houve troca de acusações e críticas entre integrantes da Corte, em uma sessão que acabou se afastando do debate estritamente técnico em alguns momentos. O presidente do STF, Edson Fachin, chegou a pedir serenidade e decoro aos colegas.

Parte da discussão também envolveu a possibilidade de reunir ou manter separados os processos relacionados a Moraes e Mendonça.

Pedido de vista interrompe definição

Quando o julgamento caminhava para uma definição, o ministro Flávio Dino pediu vista do processo, solicitando mais tempo para analisar os autos.

O pedido interrompeu a conclusão da análise e deixou sem resposta definitiva, nesta terça-feira, a questão sobre os próximos passos em relação a Moraes. O prazo regimental para devolução do processo é de até 90 dias.

Com a interrupção, o STF não decidiu nesta sessão se haverá abertura de uma investigação contra Moraes.

O julgamento, portanto, permanece sem uma conclusão definitiva. A retomada da análise deverá ocorrer depois da devolução do processo por Flávio Dino, quando os ministros poderão voltar a discutir os elementos reunidos pela Polícia Federal e decidir sobre os próximos passos do caso.

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