A cabeluda, nome popular da espécie Myrciaria glazioviana, vem chamando a atenção de produtores e pesquisadores por ser uma fruta nativa rara da Mata Atlântica. Apesar de ainda pouco conhecida do grande público, essa jabuticaba de casca começa a aparecer em pomares domésticos e em projetos de fruticultura voltados para espécies brasileiras, despertando interesse tanto pela aparência exótica quanto pelo potencial de uso em alimentação e em novos produtos artesanais.
O que é a cabeluda e por que essa fruta nativa é considerada rara
A cabeluda é uma árvore de pequeno a médio porte, geralmente cultivada em regiões de clima tropical e subtropical úmido. O nome popular está ligado à casca que, em alguns exemplares, apresenta leve aspecto aveludado e coloração intensa quando madura, enquanto a polpa é suculenta, de cor clara e com sementes, lembrando outras frutas do gênero Myrciaria.
A raridade dessa fruta nativa se deve à ocorrência restrita em áreas específicas da Mata Atlântica, à pouca divulgação junto à população urbana e à ausência de produção em larga escala. Em muitos casos, as árvores de cabeluda são encontradas apenas em coleções botânicas, sítios, chácaras e bancos de germoplasma, o que limita a oferta em feiras e mercados e reforça a percepção de fruto exótico e valorizado.
Quais são as principais características da cabeluda em sabor, uso e cultivo
No paladar, a cabeluda é descrita como uma mistura de doce suave com leve acidez, o que a torna versátil para consumo in natura e para o preparo de derivados como sucos, geleias, doces em pasta, sorvetes artesanais e licores. Em alguns projetos, produtores experimentam o uso em fermentados, como vinhos de fruta e kombuchas aromatizadas, aproveitando a cor intensa da casca e o apelo de fruta nativa rara.
Em termos de cultivo, a árvore aprecia solos bem drenados, ricos em matéria orgânica e com boa disponibilidade de água ao longo do ano. A cabeluda não tolera estiagens prolongadas sem irrigação, apresenta desenvolvimento relativamente lento e pode levar alguns anos até entrar em plena produção, o que contribui para a escassez de frutos no mercado e para o seu alto valor em nichos especializados.
Para quem deseja iniciar o plantio ou aprimorar o manejo da Myrciaria glazioviana, alguns cuidados básicos ajudam a garantir melhor desempenho e produtividade da planta:
- Luz: prefere sol pleno ou meia-sombra em regiões mais quentes;
- Água: demanda regas frequentes em períodos secos, sobretudo na fase de muda;
- Solo: idealmente argilo-arenoso, fértil e bem drenado, com boa matéria orgânica;
- Poda: utilizada para formar copa equilibrada, arejada e que facilite a colheita;
- Ambiente: indicada para quintais, sítios, coleções frutíferas e sistemas agroflorestais.
Como é feita a colheita da cabeluda e quais são os desafios de comercialização
Os frutos da cabeluda, por serem sensíveis e com casca relativamente fina, exigem cuidado na colheita e no transporte. Normalmente, a colheita é feita manualmente, retirando as frutas maduras diretamente dos ramos para evitar danos mecânicos e perda de qualidade, o que demanda mão de obra atenta e treinada.
Essa delicadeza reduz a viabilidade de longos trajetos e armazenamento prolongado, explicando a presença mais comum em mercados locais próximos às áreas produtoras. Por essa razão, a fruta ainda aparece pouco em grandes redes varejistas, sendo mais frequente em feiras agroecológicas, empórios de produtos regionais e cestas de agricultura familiar que valorizam a origem local.
A cabeluda é uma fruta nativa pouco conhecida, mas muito presente em áreas de mata antiga.
Neste vídeo do canal Sítio Kawamura Tsuyoshi Kawamura, com mais de 72 mil de inscritos e cerca de 20 mil visualizações, essa raridade aparece de forma natural:
Por que a cabeluda ganha espaço na fruticultura nativa e na conservação ambiental
O interesse renovado por frutas nativas raras, como a cabeluda, está ligado a tendências de consumo que valorizam biodiversidade, origem conhecida e alimentos menos padronizados. Em feiras agroecológicas, em roteiros turísticos rurais e em experiências gastronômicas autorais, essa fruta aparece como alternativa diferenciada para quem busca novidades na alimentação cotidiana e conexão com espécies brasileiras.
Do ponto de vista ambiental, o plantio de Myrciaria glazioviana contribui para a recuperação de áreas degradadas, o aumento da diversidade em pomares e a oferta de alimento à fauna, especialmente aves e pequenos mamíferos. Em sistemas agroflorestais, a cabeluda pode ser combinada com outras frutíferas, espécies madeireiras e plantas de sombra, criando arranjos produtivos mais diversos e integrando produção de alimento com conservação de ecossistemas.
Quais oportunidades a cabeluda oferece para agricultores familiares e para o mercado
À medida que cresce o interesse por frutas nativas e por produtos com identidade territorial, a cabeluda desponta como oportunidade para agricultores familiares e pequenos empreendimentos. A possibilidade de venda in natura, aliada à produção de derivados artesanais, permite agregar valor e criar marcas regionais baseadas na Mata Atlântica.
Para os próximos anos, a expectativa de técnicos e produtores é que a cabeluda deixe de ser vista apenas como curiosidade de colecionador e passe a ocupar espaço mais constante em pomares e prateleiras especializadas. A combinação de cor marcante, sabor agradável e identidade como fruta nativa rara cria condições para que a espécie ganhe visibilidade em projetos gastronômicos, turísticos, educacionais e de conservação, mantendo-se ligada às raízes da Mata Atlântica.









