O Irã classificou oficialmente os exércitos dos países da União Europeia como “grupos terroristas”, em resposta direta à decisão do bloco europeu de incluir a Guarda Revolucionária Islâmica iraniana na lista de organizações terroristas. A medida adotada por Teerã atinge forças armadas de países como França, Alemanha, Espanha e Itália, ampliando o nível de tensão diplomática entre o regime iraniano e o Ocidente.
A decisão europeia foi motivada pela repressão violenta a protestos internos no Irã, iniciados após a morte de Mahsa Amini. Organizações internacionais de direitos humanos estimam que até 30 mil pessoas tenham morrido durante as ações das forças de segurança contra manifestantes ao longo do período. O Parlamento Europeu vinha pressionando por sanções mais duras desde o agravamento da crise interna iraniana.
No Parlamento do Irã, a resposta foi marcada por encenação política. Deputados vestiram uniformes da Guarda Revolucionária, entoaram slogans hostis aos Estados Unidos e a Israel e acusaram a Europa de agir sob influência de Washington. O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que qualquer ataque ao território iraniano poderá desencadear uma guerra regional, elevando o alerta geopolítico no Oriente Médio.
O episódio ocorre em um cenário internacional de crescente isolamento de regimes autoritários. Com pressão sobre Cuba, mudanças em curso na Venezuela e agora o endurecimento do confronto com Teerã, o ambiente global sinaliza uma fase de enfrentamento mais direto contra ditaduras que desafiam normas internacionais e direitos fundamentais.







