Durante anos na presidência do Senado, Pacheco colaborou com a agenda do governo Lula. Articulou, votou, entregou resultados. Quando a vaga de Ricardo Lewandowski se abriu no Supremo, aguardou a recompensa que julgava acertada nos bastidores. Lula escolheu outro nome. A frustração foi tamanha que Pacheco anunciou o afastamento da vida política. Parecia capítulo encerrado.
Mas Lula percebeu tarde demais que não tem palanque em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país. O PSD de Pacheco já abriga três pré-candidatos ao Planalto e lançou Mateus Simões, opositor declarado do PT, ao governo mineiro. A saída encontrada pelo Planalto seria empurrar Pacheco para o MDB onde Gabriel Azevedo já é pré-candidato e controla o diretório. Para um entrar, o outro precisa sair. Um nó político criado pelo próprio Lula.
Enquanto isso, as pesquisas indicam Cleitinho na liderança pela oposição. O plano B do governo é Alexandre Kalil, o mesmo que foi atropelado por Romeu Zema em 2022. O retrato é claro: um presidente que pode indicar ministro do Supremo, mas não consegue montar palanque em Minas. Agora, Pacheco decide se vira a tábua de salvação de quem o jogou ao mar ou se deixa Lula afundar com a âncora que ele mesmo escolheu.









