Uma operação da Polícia Federal que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master e fundos de previdência do Amapá interferiu diretamente nos planos do Palácio do Planalto, segundo análise da jornalista Mônica Bergamo.
A ação, deflagrada no estado comandado politicamente pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, levou o governo a adiar o envio ao Senado da indicação de Messias para um cargo de alta relevância institucional.
De acordo com Bergamo, o presidente já considerava consolidada uma maioria no Senado para aprovar o nome indicado, cenário bem diferente do enfrentado no ano anterior. No entanto, a operação da PF atingiu pessoas ligadas ao círculo político de Alcolumbre, incluindo o presidente da Previdência do Amapá, Silvio Alamos, que teve participação em campanhas eleitorais e foi alvo de busca e apreensão após a compra de títulos do Banco Master.
O episódio gerou desgaste político e levou à postergação da articulação.
Ainda segundo a jornalista, a avaliação no entorno do governo é de que operações policiais costumam provocar desconforto entre lideranças políticas quando acabam respingando em seus aliados, mesmo sem qualquer interferência direta do Executivo.
Com isso, o Planalto decidiu adiar a indicação para depois do Carnaval, apostando que o tempo e novas rodadas de diálogo possam reduzir tensões.
Bergamo destaca ainda que o cenário no Senado segue em movimento, com reaproximações políticas relevantes, como a do senador Ciro Nogueira, que passou a declarar apoio aberto a Messias, ilustrando como negociações regionais e rearranjo no Congresso continuam influenciando o desfecho do processo.









