Antes de 2018, golpes financeiros como Boi Gordo e Avestruz Master afetavam apenas investidores individuais, sem atingir bancos ou fundos de investimento. A Resolução 4.656 do CMN criou as Sociedades de Crédito Direto (SCDs) e Sociedades de Empréstimo entre Pessoas (SEPs), permitindo que fintechs originassem crédito próprio e o vendessem a fundos de investimento, abrindo um canal direto para o sistema financeiro formal.
O resultado foi um crescimento rápido e difícil de fiscalizar de fundos de investimento – de 16.445 em 2018 para 31.454 em 2025 – e a possibilidade de fraudes em larga escala, como a descoberta de créditos fictícios que levaram à liquidação do Banco Master. O Banco Central e a CVM afirmam que supervisionam as instituições, mas não conferem individualmente a existência de todos os créditos, o que deixa vulnerabilidades.
Apesar da promessa de democratizar o crédito e reduzir a concentração bancária, sete anos depois, os quatro maiores bancos do país ainda detêm 58% do mercado, e os spreads permanecem elevados. A resolução transformou o que antes era risco limitado em potencial sistêmico, criando um ecossistema de crédito de alto volume e supervisão parcial.









