Os cabelos brancos são frequentemente associados ao envelhecimento, marcando a passagem do tempo de forma visível. Embora não seja possível reverter completamente o seu surgimento, é possível adiar esse processo, como indica o estudo “Anti-Graying Effects of External and Internal Treatments with Luteolin on Hair in Model Mice“, publicado na revista Antioxidants.
A pesquisa sugere que a luteolina, um antioxidante presente em vegetais, pode ajudar a prevenir os cabelos brancos, pois em testes com animais a substância demonstrou possível efeito protetor contra o embranquecimento dos fios.
“Encontrada no brócolis, na cenoura, na cebola e no pimentão, a luteolina é um flavonoide que possui alta propriedade antioxidante, atuando, assim, nos danos causados pelos radicais livres, moléculas altamente reativas que são formadas em excesso devido, por exemplo, aos maus hábitos, provocando o envelhecimento acelerado de todo o organismo, inclusive dos cabelos”, explica a Dra. Lilian Brasileiro, médica membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Principais descobertas do estudo
No estudo, os pesquisadores testaram três antioxidantes (luteolina, hesperitina e diosmetina) em camundongos que foram criados para ficarem grisalhos da mesma maneira que os humanos. “O embranquecimento dos cabelos, também chamado de canície, ocorre pela diminuição ou perda da atividade dos melanócitos, células produtoras de melanina, que é o pigmento que confere cor à pele e aos cabelos. Fios grisalhos têm pouca ou nenhuma melanina”, detalha a Dra. Lilian Brasileiro.
Os camundongos que receberam luteolina, interna ou externamente, mantiveram os pelos pretos, o que não ocorreu com os outros animais que receberam diosmetina e hesperitina. “Sabemos que os antioxidantes podem ter um efeito protetor contra o embranquecimento dos fios, mas o que é surpreendente é que a diosmetina e a hesperitina não foram capazes de impedir o surgimento de fios brancos da mesma forma que a luteolina, o que pode indicar que esse composto tenha propriedades específicas capazes de prevenir os fios brancos”, destaca a médica.

O que explica a ação da luteolina?
Os pesquisadores pontuaram que o efeito da luteolina talvez esteja ligado à ação do composto nas endotelinas, pois é capaz de preservar a expressão e os receptores dessas proteínas. “As endotelinas são proteínas que desempenham um papel crucial na comunicação celular. Seu papel na pigmentação capilar ainda não está totalmente elucidado, mas sabe-se que elas estimulam a proliferação e diferenciação dos melanócitos. Então, a luteolina, ao atuar preservando a atividade das endotelinas, pode ajudar na manutenção da pigmentação dos cabelos”, explica a especialista.
Mais pesquisas ainda são necessárias, mas as similaridades no processo de embranquecimento entre os camundongos do estudo e os humanos tornam os resultados promissores. “No futuro, com mais estudos que confirmem sua ação, a luteolina pode se tornar um ingrediente-chave para prevenir o envelhecimento dos fios e, quem sabe, até do organismo como um todo”, ressalta a Dra. Lilian Brasileiro.
Dicas para desacelerar o embranquecimento dos fios
Até que a luteolina seja a chave para prevenir os fios brancos, é possível adotar alguns cuidados para desacelerar o embranquecimento. “Alguns hábitos podem favorecer o aparecimento precoce dos fios brancos, e o tabagismo é o campeão. O estresse emocional também está no topo da lista. Então é melhor evitar”, diz a Dra. Lilian Brasileiro, que, por fim, reforça que, uma vez que os cabelos brancos surgiram, não há maneiras de reverter a situação, salvo em casos em que os fios grisalhos surgem precocemente devido a problemas como deficiências nutricionais ou doenças.
“Existem vários ativos tópicos e orais em fase de estudo para combater os fios brancos. Algumas pesquisas investigam substâncias como enzimas antioxidantes, fatores de crescimento e compostos bioativos que possam modular a atividade dos melanócitos. Mas nada com comprovação científica que justifique seu uso apenas para esse fim. Por enquanto, o único jeito é recorrer às tradicionais tinturas e tonalizantes”, finaliza.
Por Paula Amoroso