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Versões conflitantes expõem contradições do Banco Central no caso Banco Master

Declarações recentes do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, entraram em choque com informações prestadas à Polícia Federal por um dos principais diretores da própria instituição no caso que envolve suspeitas de fraude no Banco Master. As versões apresentadas não coincidem quanto ao momento em que o BC teria identificado irregularidades nas operações que resultaram na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília.

Segundo Galípolo, o Banco Central já dispunha de indícios de fraude desde janeiro de 2025 e, em março, teria produzido documentação indicando que créditos negociados simplesmente não existiam. No entanto, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, declarou à Polícia Federal que só tomou conhecimento das fraudes após 28 de março, data posterior ao anúncio da aquisição das carteiras pelo BRB, instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal.

A divergência levanta questionamentos relevantes sobre a atuação da autoridade monetária. Caso os indícios tenham sido identificados antes da operação, a ausência de intervenção pode caracterizar falha grave de fiscalização. Por outro lado, se o conhecimento das irregularidades ocorreu apenas após a transação, as declarações do presidente do BC passam a ser colocadas em dúvida. Em ambos os cenários, o episódio amplia a pressão sobre a cúpula do Banco Central e reforça a gravidade do caso, que envolve valores bilionários e recursos públicos.

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