A Floresta Amazônica é uma das regiões mais ricas em vida do planeta. O que pouca gente imagina é que parte dos nutrientes que mantêm a floresta fértil vem do Deserto do Saara, no norte da África. Ventos fortes carregam poeira pelo Oceano Atlântico até a Amazônia, ajudando a repor nutrientes levados pelas chuvas da região.
Todos os anos, cerca de 27,7 milhões de toneladas de poeira atravessam o oceano e chegam à floresta amazônica. Essa poeira carrega principalmente fósforo, um nutriente essencial para o crescimento das plantas.
O fósforo é considerado o principal nutriente transportado pela poeira africana. Ele ajuda no crescimento das plantas e participa da fotossíntese, processo usado pelas plantas para transformar luz solar em energia.

Os pesquisadores calcularam que cerca de 22 mil toneladas de fósforo chegam à Amazônia todos os anos junto com a poeira.
Os solos amazônicos possuem pouca quantidade natural desse nutriente, cerca de 90% dos solos da região são deficientes desse elemento, porque as chuvas frequentes acabam retirando parte dele com o passar do tempo. Segundo o estudo, a quantidade de fósforo trazida da África é muito parecida com a quantidade perdida pela floresta devido à água da chuva.

Segundo os cientistas, entre 180 milhões e 200 milhões de toneladas de poeira deixam o Saara todos os anos. Grande parte cai no Oceano Atlântico, enquanto outra parcela segue até a Amazônia e também para regiões do Caribe.
O estudo, publicado em 2015 na revista científica Geophysical Research Letters por pesquisadores da Universidade de Maryland e da NASA, usou dados do satélite CALIPSO, equipado com tecnologia a laser para identificar partículas suspensas no ar, entre 2007 e 2013.
Poeira tem origem em antigos lagos
Os pesquisadores explicam que o fósforo presente nessa poeira não vem apenas da areia do deserto. Parte importante do material tem origem em restos muito antigos de organismos que viveram em lagos da região africana há milhares de anos.

Durante muito tempo, estudos apontaram a Depressão de Bodélé, no Chade, como a principal origem dessa poeira rica em nutrientes. O local foi o fundo de um antigo lago de água doce e acumulou sedimentos formados por restos fossilizados de pequenos organismos aquáticos.
Em determinadas épocas do ano, ventos fortes que passam entre montanhas da região levantam essas partículas para a atmosfera quase diariamente.
Pesquisas mais recentes sugerem que parte da poeira que chega à Amazônia pode vir de outras áreas do norte da África. Um estudo publicado em 2020 indicou que muito do material vindo da Depressão de Bodélé acaba caindo com a chuva antes mesmo de atravessar o Oceano Atlântico.
Segundo essa pesquisa, boa parte da poeira que consegue chegar à América do Sul pode ter origem na região de El Djouf, área desértica localizada entre Mauritânia, Mali e Argélia.
Apesar das diferenças sobre a origem exata da poeira, os pesquisadores afirmam que há consenso científico sobre a ligação entre o Saara e a Amazônia e sobre a importância desse material para manter nutrientes na floresta.







