Os bastidores políticos de Brasília fervem com a informação de que a relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, enfrenta seu momento mais delicado. Segundo revelado pela colunista Bela Megale, do jornal O Globo, o presidente externou duras críticas ao magistrado durante um encontro reservado, ocorrido há cerca de um mês, com os ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques.
O estopim do descontentamento presidencial gira em torno das repercussões do “Caso Master”. Lula teria manifestado forte “incredulidade” e cobrado publicamente que Moraes venha a público explicar o contrato de R$ 130 milhões firmado pelo escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci, com o Banco Master. O episódio, que se soma ao escândalo envolvendo o empresário Cristiano Vorcaro, desgastou sensivelmente a interlocução entre o Palácio do Planalto e o ministro.
Acúmulo de tensões e tentativa de trégua
A insatisfação do governo com Moraes, no entanto, não é isolada. Fontes de bastidores apontam que o Planalto já acumulava forte irritação após o ministro atuar firmemente para barrar a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para uma vaga no STF — uma movimentação que foi lida pelo núcleo duro do governo como uma interferência direta nas prerrogativas do Executivo.
Apesar do clima de desconfiança mútua, articuladores políticos já correm contra o tempo para costurar uma “trégua” estratégica entre as duas autoridades. O principal argumento dos bombeiros de plantão é a necessidade prática de Lula preservar uma relação institucional saudável com a liderança da Corte, uma vez que Alexandre de Moraes está na linha de sucessão para assumir a presidência do STF no próximo ano.









