O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou que o país não realizará novas eleições. A Assembleia Nacional, controlada por sua base governista, já iniciou os procedimentos para alterar a Constituição e transformar a decisão em regra permanente.
A medida aprofunda um processo de concentração de poder que se intensificou após os protestos de 2018. Desde então, opositores foram presos ou impedidos de disputar eleições, organizações da sociedade civil tiveram suas atividades restringidas e Rosario Murillo, esposa de Ortega, foi elevada ao cargo de copresidente, ampliando ainda mais o controle do casal sobre o Estado.
Ao comentar o caso, Carol Sponza afirmou que regimes autoritários raramente se consolidam por meio de uma única decisão. Segundo ela, o enfraquecimento da democracia costuma ocorrer de forma gradual, com a concentração de poder, a redução do espaço para a oposição e o aumento do controle sobre o debate público.
A comentarista também defendeu atenção às discussões sobre o combate à desinformação e à regulação de conteúdos em períodos eleitorais. Na avaliação dela, experiências internacionais mostram que governos com forte concentração de poder frequentemente justificam medidas de maior controle estatal como forma de proteger a democracia e as instituições.
Para Carol, o cenário da Nicarágua não significa que o Brasil esteja na mesma situação, mas serve como alerta para a importância de preservar a liberdade de expressão, a independência entre os Poderes e a realização de eleições livres e competitivas.









