A nova tarifa adicional de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros aumentou a pressão sobre as exportações nacionais e reacendeu o debate sobre uma eventual resposta do governo federal.
O Palácio do Planalto classificou a medida como arbitrária e injustificada e informou que poderá adotar os mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade, além de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a decisão.
Enquanto o governo estuda possíveis contramedidas, representantes do setor produtivo defendem cautela. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) afirmou que não apoia medidas de retaliação e reforçou a importância de preservar os canais de negociação entre os dois países.
A Amcham Brasil também manifestou preocupação com uma possível escalada da disputa comercial. Para a entidade, a adoção de medidas recíprocas pode ampliar os prejuízos para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois lados.
Na mesma linha, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) destacou que o diálogo diplomático deve ser priorizado para evitar impactos ainda maiores sobre a economia brasileira.
Levantamento da CNI aponta que a nova tarifa atinge 4.060 produtos brasileiros, correspondentes a aproximadamente US$ 12,4 bilhões em exportações. Em muitos casos, a cobrança será somada a tarifas já existentes, fazendo com que a alíquota total alcance até 37,5%.
Embora o governo tenha sinalizado a possibilidade de utilizar a Lei da Reciprocidade, a legislação não prevê retaliação imediata. O procedimento exige estudos técnicos, consultas e etapas administrativas antes da adoção de eventuais medidas contra os Estados Unidos.
As manifestações das principais entidades empresariais reforçam a defesa de uma solução negociada, indicando que, para o setor produtivo, a preservação do diálogo diplomático é o caminho considerado mais adequado para reduzir os impactos da disputa comercial.





