Os países do BRICS devem discutir, na próxima cúpula do bloco, a possibilidade de integrar sistemas de pagamentos instantâneos e ampliar as alternativas para transações financeiras entre os países-membros. O tema será levado ao encontro previsto para os dias 12 e 13 de setembro e inclui propostas envolvendo moedas digitais e a conexão entre sistemas nacionais de pagamentos rápidos.
O presidente do Banco Central da Índia, Sanjay Malhotra, afirmou que os pagamentos transfronteiriços interessam aos integrantes do grupo pelo potencial de reduzir custos e facilitar operações internacionais. Entre as alternativas avaliadas estão as chamadas CBDCs, versões digitais das moedas nacionais, além da interligação de sistemas de pagamentos instantâneos.
No Brasil, o Banco Central já havia informado que pretende estudar possibilidades de internacionalização do Pix. Isso, porém, não significa que o sistema brasileiro tenha sido formalmente incluído em qualquer mecanismo do BRICS. A discussão ainda está em estágio inicial e não há decisão de adesão.
O assunto ganha peso diante do atual desgaste entre Brasil e Estados Unidos. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) incluiu o Pix entre as práticas brasileiras que considera potencialmente injustas, questionando, entre outros pontos, a atuação do Banco Central como regulador e operador do sistema.
Nesse cenário, qualquer avanço na integração do Pix com mecanismos financeiros do BRICS poderá ganhar dimensão política em Washington, especialmente em meio à disputa comercial e à imposição de tarifas sobre produtos brasileiros.
Por enquanto, contudo, trata-se de uma discussão técnica e diplomática em andamento. Não há confirmação de que o Pix será incorporado ao sistema de pagamentos do BRICS, nem anúncio do governo brasileiro nesse sentido.









