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Menina morre após infecção por “ameba comedora de cérebro”

Uma menina de oito anos morreu neste sábado (22), na Louisiana, nos Estados Unidos, após ser infectada pela Naegleria fowleri, uma ameba rara que pode chegar ao cérebro quando água contaminada entra pelo nariz.

Lillian Smart havia completado oito anos um dia antes da morte. Ela estava internada e recebia tratamento desde que começou a apresentar febre, em 13 de agosto.

Segundo a família, dois dias depois dos primeiros sintomas, a menina continuava com febre alta e estava muito cansada. Na tarde do sábado (15), a garota passou a reclamar de visão dupla, e os familiares perceberam que suas pupilas estavam diferentes.

A menina foi levada ao hospital Willis Knighton South, que conta com uma equipe especializada no atendimento de crianças. Após uma punção lombar, exame que retira uma pequena quantidade do líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal, os médicos suspeitaram inicialmente de meningite bacteriana.

Família de Lillian Smith – Foto: Reprodução/Facebook

Depois, a família informou que Lillian havia sido infectada pela Naegleria fowleri. O Departamento de Saúde da Louisiana confirmou, em 19 de agosto, um caso da infecção no estado, mas sem confirmar se tratava-se do caso da menina.

Segundo o órgão, a pessoa provavelmente entrou em contato com a ameba durante um banho no Lake Claiborne, no condado de Claiborne, pouco antes de apresentar os primeiros sintomas.

Como a ameba chega ao cérebro

A Naegleria fowleri é encontrada principalmente em água doce e quente, como lagos, rios, canais e lagoas.

Em casos extremamente raros, a água contaminada pode entrar pelo nariz. A ameba então pode chegar ao cérebro e provocar uma infecção grave chamada meningoencefalite amebiana primária (PAM). A doença provoca uma forte inflamação no cérebro e nas membranas que o protegem.

Lillian Smart foi contaminada com Naegleria fowleri, conhecida como ‘ameba comedora de cérebro’ – Foto: Reprodução/Facebook

A infecção não acontece quando a água contaminada é engolida. A ameba também não é transmitida de uma pessoa para outra.

Os primeiros sintomas podem incluir dor de cabeça forte, febre, náuseas e vômitos. Com o avanço da doença, podem surgir rigidez no pescoço, confusão mental, convulsões e coma.

A infecção costuma avançar rapidamente. Segundo os dados das autoridades de saúde do país, mais de 97% das pessoas que desenvolvem a doença morrem.

Casos são extremamente raros

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), 180 casos de meningoencefalite amebiana primária foram registrados no país entre 1937 e 2025.

A Naegleria fowleri entra pelo nariz, alcança o cérebro e consome o tecido cerebral – Foto: Centers for Disease Control and Prevention/Reprodução

O número de casos varia de zero a oito por ano. Na Louisiana, foram registrados três casos durante esse período.

A ameba se desenvolve principalmente em água doce quente. Por isso, os casos costumam aparecer nos meses mais quentes do ano, especialmente após períodos prolongados de calor, quando a temperatura da água aumenta e o nível de rios e lagos diminui.

Os registros também mostram que a maioria dos casos ocorre em julho e agosto.

Como evitar a infecção

Como a contaminação acontece quando a água entra pelo nariz, uma das principais formas de reduzir o risco é evitar que isso aconteça ao entrar em água doce quente.

As autoridades recomendam manter a cabeça fora da água ou usar um prendedor nasal ao mergulhar.

Também é recomendado evitar mexer no fundo de áreas rasas de água doce quente, onde a ameba pode estar presente, e não colocar a cabeça em fontes termais que não tenham tratamento.

Mesmo que a infecção seja extremamente rara, ela pode avançar rapidamente. Por isso, pessoas que apresentarem sintomas compatíveis após entrar em contato com água doce quente devem procurar atendimento médico.

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