O El Niño atual já atingiu todos os critérios para classificação como “super”, conforme dados divulgados pela agência estadunidense NOAA. O Oceano Pacífico marca mais de 2ºC de aquecimento e atingiu requisitos para classificação em ambos os índices de medição RONI e ONI. Esses valores de anomalia classificam o evento como muito forte a intenso, popularmente conhecido como “super”, o que também corresponde a um dos eventos mais fortes observados na modernidade, segundo a MetSul. O ponto central da observação é o quão cedo esses índices já chegaram a marcas de aquecimento anormal. Com isso, há possibilidade de que o Pacífico alcance valores excepcionais até o fim deste ano de 2026. O fenômeno prevalece ainda durante 2027, quando já deverá ter parado de se fortalecer. Apesar da anormalidade, o Super El Niño não se traduz necessariamente em eventos extremos ou desastres, destacam meteorologistas.
Comparação com 2023
O El Niño atual (2026-2027) tem sido comparado com o episódio de 2023-2024 desde o começo das medições deste ano. Meteorologistas da Defesa Civil do Rio Grande do Sul já comparavam os eventos em abril, quando destacaram que o “comportamento” deveria ser similar a 2023.
Ainda assim, ressaltaram que o fenômeno deveria começar a agir a partir de julho, e que não havia como confirmar volumes extremos de chuva como os observados em 2024, ano das enchentes no estado gaúcho.
Agora, em setembro, a avaliação é que o El Niño 2026 tem apresentado menos chuva no Sul do que o episódio de três anos atrás. Em São Paulo, contudo, ao invés de ondas de calor, chuvas excessivas já aconteceram neste ano de 2026.
De acordo com os meteorologistas, as diferenças observadas até aqui mostram como o aquecimento do Pacífico não reflete, necessariamente, em eventos extremos, nem prever a repetição de desastres em determinadas regiões.
O que se projeta para o Brasil?
Até o momento, o último levantamento do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê um regime de chuvas acima da média no Sul, contra uma estiagem de maior rigor no Nordeste.
Segundo o boletim, a Região Sul, sobretudo no Rio Grande do Sul, deve receber volumes de chuva acima das médias históricas. Junto com o Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul tendem a registrar chuvas acima do esperado para a época do ano.
Já as regiões Norte e Nordeste tendem a ficar com chuvas abaixo da média, causando uma seca. Partes do Centro-Oeste e do Sudeste, especialmente Mato Grosso, Tocantins, Norte de Goiás , Minas Gerais e Espírito Santo, também têm maior probabilidade de chuva abaixo do normal.
Já as regiões mais centralizadas do Brasil devem enfrentar “um pouco de cada” padrão.
Território climático inédito
Esta é a primeira vez, dentro do histórico, que índices para um patamar de Super El Niño são alcançados tão cedo. Isso porque, já na semana de 08 de julho, um dos índices mediram +2ºC no Pacífico.
Conforme a MetSul Meteorologia, noutros episódios considerados fortes, esse valor só apareceu mais tarde. Em 1982-83, a marca chegou no dia 24 de novembro. Em 1997-98, 03 de setembro, enquanto mais recentemente, 2015-16, no dia 16 de setembro.
Em 2015-16, essa marca chegou até os +3ºC. Algumas projeções indicam que o episódio atual pode chegar nos +4ºC no Pacífico. Caso isso se confirme, seria uma observação sem precedentes históricos, com margem larga para outros momentos.
Ainda assim, eventos extremos não dependem exclusivamente do calor do Pacífico para se concretizarem. Os meteorologistas destacam que a atmosfera e outros padrões climáticos é que definem os efeitos, a intensidade e onde eles ocorrem.
O Oceano Pacífico Equatorial está agora em condições de Super El Niño por todos os critérios de monitoramento utilizados no monitoramento da agência de tempo e clima do governo dos Estados Unidos, mostram dados divulgados nesta segunda-feira pela NOAA.









