Segundo a reportagem, desde 4 de novembro Vorcaro enviava mensagens questionando quais medidas poderiam ser adotadas no inquérito, incluindo buscas e quebras de sigilo. Em 6 de novembro, voltou a perguntar se o caso tramitava em Brasília, qual era o objeto da investigação e se seria necessária alguma providência jurídica urgente.
Em 15 de novembro, Vorcaro perguntou se precisaria estar fora de São Paulo na segunda-feira. Após receber uma resposta cujo conteúdo não foi recuperado, afirmou que a situação era uma “loucura”. Na mesma conversa, questionou se o inquérito estava sob responsabilidade de determinado juiz, se o presidente do Banco Central tinha conhecimento da investigação e se o ministro poderia tomar alguma providência. No dia seguinte, perguntou se alguma medida seria cumprida na manhã seguinte.
Outro ponto analisado pela reportagem é a diferença de apenas 18 minutos entre a assinatura da ordem de prisão, às 15h29 do dia 17, e o recebimento de uma petição da defesa na vara, às 15h47. A Polícia Federal passou a avaliar o intervalo como possível indício de que Vorcaro teria recebido informações antecipadas. Um plano de voo também indicaria que os advogados viajariam de São Paulo a Brasília para tentar acessar os autos e evitar medidas cautelares.
As conversas entre os dois utilizavam o recurso de visualização única, impedindo a recuperação das respostas. A reportagem afirma que as mensagens de Vorcaro sugerem que ele tinha conhecimento antecipado sobre o andamento do inquérito e possíveis diligências. Não há, contudo, decisão judicial concluindo que Moraes tenha sido a fonte das informações.
Moraes nega irregularidades e deverá apresentar sua defesa na sessão de terça-feira. Até o momento, não há investigação aberta nem acusação formal contra o ministro relacionada ao episódio.









