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Bolsa Família sobe 15% a 17 dias da eleição e levanta questionamentos sobre timing

O governo Lula anunciou um reajuste de 15,04% no Bolsa Família a apenas 17 dias do primeiro turno das eleições de 2026. O valor mínimo do programa passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio estimado subirá de R$ 675 para R$ 777 a partir de outubro. O decreto oficial afirma que a correção recompõe a inflação acumulada pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026.

O ponto que passou a provocar questionamentos é o momento escolhido pelo governo para fazer a primeira correção pela inflação desde a retomada do atual modelo do programa, em 2023. O reajuste foi anunciado na reta final da campanha eleitoral, circunstância que levou opositores e especialistas a discutirem se uma medida dessa natureza poderia ter sido adotada anteriormente, sem coincidir com o período eleitoral.

O episódio também reacende a comparação com 2022, quando o então Auxílio Brasil teve seu valor elevado para R$ 600 pouco antes da eleição. A discussão ganhou novo peso após o Supremo Tribunal Federal considerar inconstitucionais, em 2024, dispositivos da Emenda Constitucional 123 relacionados à ampliação de benefícios em ano eleitoral.

Além do calendário, existe a questão fiscal. Segundo estimativas divulgadas com o anúncio, o reajuste terá impacto de cerca de R$ 5,8 bilhões em 2026 e poderá representar aproximadamente R$ 22,7 bilhões por ano em 2027 e 2028. O governo afirma que a medida recompõe perdas inflacionárias e está amparada pela legislação.

O reajuste, portanto, pode ser apresentado como uma correção monetária necessária, mas o momento escolhido pelo governo Lula abre uma discussão política inevitável: por que a primeira atualização pela inflação desde 2023 foi anunciada justamente a poucas semanas da eleição?

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