Lula anunciou nesta quinta-feira (17) que as chamadas canetas emagrecedoras deverão ser oferecidas gratuitamente pelo SUS a pacientes com obesidade. A promessa foi feita durante visita ao complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros (MG), a pouco mais de duas semanas do primeiro turno das eleições.
O problema é que o benefício anunciado ainda não está disponível nacionalmente. O Ministério da Saúde afirma que trabalha na elaboração de um protocolo clínico que definirá quais pacientes terão acesso aos medicamentos, quais produtos serão utilizados, por quanto tempo e quais critérios serão adotados para início e continuidade do tratamento.
Hoje, o governo conduz um projeto-piloto com 250 pacientes do SUS atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre. A iniciativa pretende avaliar segurança, resposta clínica e custos antes de uma eventual ampliação. Portanto, entre o anúncio presidencial e a distribuição efetiva em todo o país ainda existem etapas técnicas e administrativas a serem concluídas.
O momento do anúncio também chama atenção. Lula apresentou a promessa durante uma agenda pública em plena reta final da campanha, no mesmo período em que o governo anunciou o reajuste do Bolsa Família. A proximidade das medidas com a eleição alimenta o debate sobre o uso político de anúncios de benefícios públicos — embora o governo sustente que a oferta será feita de forma responsável, mediante indicação médica e critérios clínicos.
Há ainda uma mudança de discurso a considerar. Em março, Lula havia defendido que as canetas não deveriam ser tratadas como uma espécie de “prêmio” e ressaltado a importância de atividade física e mudança de hábitos. Agora, o presidente anuncia a ampliação do acesso pelo SUS, embora os critérios nacionais para essa oferta ainda estejam sendo definidos.









