Lula voltou a atacar o ministro André Mendonça e afirmou que estaria “provado” que o magistrado utilizou a relatoria do caso Banco Master para “fazer política” e promover uma divulgação seletiva de informações. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Itatiaia nesta quinta-feira (17).
O problema é que, na mesma entrevista, o próprio presidente adotou um tom político ao tratar de outros envolvidos. Ao falar sobre Flávio Bolsonaro, Lula afirmou que o senador estaria “atolado até o pescoço” nas supostas irregularidades envolvendo o Banco Master, antes da conclusão das investigações.
Lula também defendeu Alexandre de Moraes e disse que eventuais irregularidades cometidas pelo ministro devem ser apuradas e punidas. Ao mesmo tempo, afirmou que todos os envolvidos devem ser analisados e que as informações do caso precisam ser divulgadas.
É justamente aí que surge a contradição política do discurso: Lula cobra cautela, transparência e tratamento igual para os envolvidos, mas utiliza expressões de condenação antecipada ao se referir a um de seus principais adversários eleitorais. Enquanto acusa Mendonça de transformar a relatoria em instrumento político, o próprio presidente leva o caso para o terreno eleitoral ao associar diretamente Flávio Bolsonaro às supostas irregularidades.
O caso Master precisa ter as mesmas regras para todos: investigação, transparência, direito de defesa e conclusão baseada em provas. Se o princípio defendido pelo presidente é que “todos” sejam analisados, o mesmo critério precisa valer também para seus adversários políticos.









