O esgoto tratado de São Paulo passou a ter um novo papel na estratégia de segurança hídrica: virar matéria-prima para atividades industriais e reduzir a necessidade de água potável. Em 2025, a Sabesp operou 30 contratos de reúso e entregou 1,035 bilhão de litros, sendo mais de 860 milhões por meio de ligações diretas à rede.
A estratégia ganha importância diante da pressão sobre os mananciais. No início deste ano, os reservatórios do Sistema Cantareira chegaram a níveis que não eram registrados desde 2015. Na prática, cada litro de água de reúso destinado à indústria representa um litro de água potável preservado para o abastecimento da população.
Entre os novos usos está um data center em Barueri, que recebe 11 milhões de litros por mês para o resfriamento de servidores, volume equivalente ao consumo aproximado de 3 mil pessoas. Outro contrato prevê o fornecimento de 40 milhões de litros mensais para uma refinaria de níquel e cobalto em São Miguel Paulista, única unidade desse tipo na América Latina. A planta está em retomada, com investimento de US$ 130 milhões e previsão de iniciar a produção em 2027.
A Sabesp estima ter capacidade para produzir 84,5 milhões de litros de água de reúso por dia a partir das estações de tratamento de Barueri, São Miguel, Parque Novo Mundo e ABC. Os contratos com o data center e a refinaria foram anunciados em março. No caso do data center, o fornecimento começa por caminhões-pipa, enquanto a ligação direta à rede ainda está prevista. A água é tratada para uso industrial e não é destinada ao consumo humano.








