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Ciclone bomba tem rota definida ao chegar no Brasil; veja

O ciclone extratropical que se forma entre o Uruguai e o Sul do Brasil deve provocar uma sequência de fenômenos extremos entre esta quinta-feira (6) e sexta-feira (7), com temporais, rajadas de vento superiores a 100 km/h em algumas áreas, queda de granizo e redução acentuada das temperaturas.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e diversos órgãos estaduais mantêm alertas para a passagem do sistema, enquanto empresas de meteorologia apontam risco elevado de danos em parte da Região Sul.

A formação do ciclone extratropical ocorre devido ao encontro entre uma massa de ar quente sobre o Sul do Brasil e outra de ar frio que avança pela Argentina. Esse contraste faz a pressão atmosférica cair rapidamente, favorecendo a intensificação do sistema. Caso a queda de pressão atinja os critérios meteorológicos, o fenômeno pode ser classificado como ciclone bomba, também chamado de bombogênese.

Antes mesmo de o ciclone atingir sua máxima intensidade, uma extensa linha de instabilidade deve atravessar o Uruguai e o Rio Grande do Sul, trazendo o maior risco de temporais severos.

Linha de tempestades antecede o ciclone

O primeiro impacto ocorre ainda durante a formação do sistema. Segundo projeções meteorológicas, uma linha de tempestades deve avançar rapidamente do Uruguai para o Rio Grande do Sul entre a tarde e a noite desta quinta-feira.

Além da chuva intensa em curto período, o sistema pode provocar descargas elétricas frequentes, granizo e rajadas muito fortes de vento.

Metereologistas alertam que algumas tempestades podem assumir características severas, favorecidas pelo forte cisalhamento dos ventos na atmosfera. Esse cenário aumenta a possibilidade de fenômenos localizados, como microexplosões atmosféricas e, de forma isolada, até tornados.

Embora a chuva possa provocar alagamentos urbanos, a expectativa é de que o deslocamento rápido da frente fria reduza o risco de grandes enchentes em rios de maior porte.

Cidades com maior risco de ventos acima de 100 km/h

As projeções indicam que o maior potencial para rajadas destrutivas concentra-se inicialmente no Uruguai e, na sequência, avança para o Rio Grande do Sul.

No território gaúcho, as regiões Oeste, Noroeste, Centro e Sul aparecem entre as mais vulneráveis. De acordo com a MetSul, entre as cidades que podem registrar os ventos mais intensos estão:

  • Uruguaiana;
  • Alegrete;
  • Itaqui;
  • Santana do Livramento;
  • São Gabriel;
  • Rosário do Sul;
  • Bagé;
  • Dom Pedrito;
  • Jaguarão;
  • Pelotas;
  • Rio Grande;
  • Santa Vitória do Palmar;
  • Santa Maria;
  • Camaquã;
  • Santiago.

Segundo análises meteorológicas, a maioria das cidades poderá registrar rajadas entre 70 km/h e 100 km/h, mas em áreas atingidas pelos temporais mais severos os ventos podem variar entre 100 km/h e 130 km/h, com possibilidade de marcas ainda superiores em pontos isolados.

A Região Metropolitana de Porto Alegre, parte dos Vales e o sul do Litoral Norte também podem registrar ventos intensos durante a passagem da linha de instabilidade.

Ventos continuam após a passagem da frente fria

Mesmo depois da passagem dos temporais, o ciclone continuará influenciando o tempo.

Rota do ciclone – Foto: Reprodução / MetSul

Com o sistema já formado sobre o Oceano Atlântico, a circulação dos ventos permanecerá intensa durante várias horas, principalmente entre a madrugada e a tarde de sexta-feira (7).

As áreas mais afetadas devem ser o Sul e o Leste do Rio Grande do Sul, especialmente o Litoral Sul, onde cidades como Chuí, Rio Grande, São José do Norte, Pelotas, Arroio Grande, Jaguarão e Santa Vitória do Palmar poderão registrar rajadas superiores a 100 km/h em pontos isolados.

Também há previsão de vento forte em municípios como Porto Alegre, Guaíba, Eldorado do Sul, Viamão, Tapes, Mostardas, Tramandaí, Imbé, Xangri-lá e Capão da Canoa.

Ao longo da sexta-feira, conforme o ciclone se afasta para o Atlântico Sul, a tendência é de enfraquecimento gradual dos ventos.

Frio avança pelo Centro-Sul

Depois da passagem da frente fria, uma massa de ar frio deve avançar sobre o Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste.

O Inmet já emitiu alertas para declínio de temperatura em diversos municípios da Região Sul, com previsão de queda entre 3°C e 5°C, além de risco leve à saúde.

O avanço do ar polar também deve derrubar as temperaturas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul durante o fim de semana, encerrando o período de calor acima da média observado nos últimos dias.

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