O deputado federal Mário Frias (PL) chamou de “cortina de fumaça”, em vídeo publicado nas suas redes sociais, a operação Make Up, da Polícia Federal, deflagrada nesta quinta-feira (10) com autorização do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que realizou buscas em sua residência. Assista:
O que a imprensa não te contou, eu conto aqui 👇🏻 pic.twitter.com/BNyEif1zvu
— MarioFrias 2208 (@mfriasoficial) September 10, 2026
Em sua declaração, o parlamentar negou irregularidades e disse que a investigação envolve uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões destinada a projetos esportivos e de letramento digital de crianças e jovens, segundo ele.
“Recurso de emenda pública registrada, transparente, que qualquer um pode consultar no portal da transparência”, acrescentou.
Frias defendeu a legalidade dos recursos e afirmou que sua defesa tenta ter acesso ao inquérito há meses. Também criticou a operação, dizendo que eventuais irregularidades na aplicação da verba poderiam ser esclarecidas por meio de documentos e classificou a ação como uma “cortina de fumaça” em ano eleitoral.
“Primeiro, a minha defesa pede acesso ao inquérito há meses. como é que pode defender de alguma acusação sem ler? A gente descobre o que estão dizendo pelo jornal no mesmo dia em que a sua porta é arrombada?”, questiona. “Segundo, emenda parlamentar, não é dinheiro que passa pela mão do deputado; ela vai do Tesouro para órgão executor que aprova o plano de trabalho previamente e fiscaliza a prestação de contas. Se há alguma nota que a CGU [Controladoria-Geral da União], quer ver, isso se resolve com documento, não com operação em ano de eleição: cortina de fumaça”, afirma.
Frias também criticou a origem das suspeitas, que, segundo ele, estariam “baseadas em uma reportagem jornalística apresentada por uma parlamentar ligada ao partido do ministro relator do caso”.
O deputado afirmou que a exposição provocada pela operação, incluindo a imagem de sua residência durante o cumprimento do mandado, e o impacto causado em sua família não serão apagados mesmo que a investigação seja arquivada.
“Eu poderia estar no meu sítio, vivendo do que construí em 25 anos de carreira como ator. Eu escolhi vir para a política, porque não aceitei ver o presidente Bolsonaro apanhar sozinho. E o que aconteceu com ele, narrativa atrás de narrativa, uma a uma caindo, está acontecendo comigo a um mês da eleição”, acrescentou, afirmando que vai colaborar com as investigações.
Investigação
Mário Frias foi alvo de buscas autorizadas pelo ministro Flávio Dino, em investigação que apura suspeitas de irregularidades envolvendo recursos provenientes de emendas parlamentares.
A apuração envolve duas emendas de autoria de Frias que destinaram R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, empresária e produtora do filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro, Dark Horse.
Ainda segundo a PF enviou, em menos de 60 dias, R$ 645,4 mil à Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, no entanto, os rendimentos mensais do parlamentar, de R$ 44.008,52, seriam incompatíveis com as transferências, segundo os policiais.
No vídeo divulgado no fim desta quinta-feira, Mário Frias não comentou sobre essas transferências.









