Internacional

Trump promete “guerra econômica” e ameaça parceiros do Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (19) uma nova ofensiva para ampliar o isolamento financeiro do Irã. Em publicação na Truth Social, ele prometeu uma “guerra econômica” e ameaçou impor punições a países que permitirem que empresas, bancos, aeroportos ou órgãos públicos ajudem a manter a economia iraniana funcionando.

A ameaça amplia a pressão para além de Teerã e pode atingir empresas e governos estrangeiros. Trump, porém, não informou quais serão as novas sanções, quais países serão atingidos ou qual será o tamanho das punições. O Brasil não foi citado nominalmente.

Entre as operações que o presidente pretende atingir estão contrabando de petróleo, transferências de dinheiro, linhas de swap, casas de câmbio, registros de navios e empresas de fachada. Trump chamou a ofensiva de um “D-Day econômico” e pediu que aliados dos Estados Unidos participem do cerco.

Trump também afirmou que pretende impedir qualquer “linha de sobrevivência” financeira ao governo iraniano e voltou a dizer que Teerã não terá uma arma nuclear. O anúncio ocorre depois de meses de sanções, bloqueios e ataques militares entre os dois países.

Brasil pode ser afetado?

Ainda não é possível afirmar. Trump não citou o Brasil e tampouco explicou se relações comerciais regulares com o Irã serão suficientes para provocar punições.

O país, no entanto, mantém uma relação importante com o mercado iraniano, especialmente no agronegócio. Entre janeiro e julho deste ano, o Irã se tornou o quarto maior comprador de farelo de soja brasileiro, com US$ 541,2 milhões (cerca de R$ 2,8 bilhões) e 1,6 milhão de toneladas embarcadas.

O avanço foi expressivo: as vendas brasileiras de farelo de soja para os iranianos cresceram 699,8% em valor ante o mesmo período de 2025. O Irã também é historicamente um destino importante para o milho produzido no Brasil.

Isso não significa, por enquanto, que esses embarques serão atingidos. A publicação de Trump concentra a ameaça em países e instituições que ofereçam suporte econômico capaz de sustentar Teerã, sem detalhar como Washington fará essa classificação.

Estados Unidos já podem tarifar países ligados ao Irã

A ameaça desta quarta não parte do zero.

Em fevereiro, Trump assinou a Ordem Executiva 14382, que permite aos Estados Unidos impor uma tarifa adicional sobre produtos de países que comprem direta ou indiretamente determinados bens e serviços iranianos. O próprio decreto cita 25% como exemplo de alíquota, mas a aplicação depende de avaliação do governo estadunidense para cada país.

A ordem atribuiu ao Departamento de Comércio a tarefa de identificar essas relações. Depois, os departamentos de Estado, Tesouro e Comércio podem recomendar ao presidente se uma tarifa será aplicada e qual será o percentual.

O Tesouro também mantém uma campanha chamada “Economic Fury”, criada para cortar fontes de receita do governo iraniano. Desde maio, autoridades estadunidenses têm atingido casas de câmbio, empresas de fachada, redes ligadas ao comércio de petróleo, embarcações e companhias estrangeiras acusadas de ajudar Teerã a contornar sanções.

A diferença agora está no alcance da ameaça feita pelo próprio presidente. Trump avisou que países poderão sofrer “consequências econômicas enormes” caso suas instituições sirvam de apoio ao Irã.

Anúncio vem após fracasso de acordo

A escalada ocorre dois dias depois do fim do prazo de um memorando firmado entre Washington e Teerã para tentar encerrar a guerra. O acordo provisório expirou nesta segunda-feira (17) sem alcançar o resultado esperado.

O conflito começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra alvos militares, governamentais e de infraestrutura no Irã. Delegações dos dois lados chegaram a negociar em junho, mas os ataques continuaram, e o Estreito de Ormuz se tornou um dos principais focos da disputa.

Nesta quarta, os Emirados Árabes Unidos também anunciaram um embargo comercial e financeiro por tempo indeterminado contra o Irã, depois de acusarem Teerã de lançar dois mísseis balísticos contra o país. O governo iraniano negou o ataque.

Horas antes de anunciar a nova ofensiva, Trump havia dito que ainda existiam sanções “muito draconianas” que poderiam ser adotadas. Também voltou a afirmar que o bloqueio naval dos Estados Unidos está funcionando e que embarcações conseguem atravessar Ormuz para outros destinos, mas não chegar ao Irã.

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