Paulo Afonso

Jovem de 17 anos vai à UPA de Paulo Afonso para receber atendimento durante surto e termina algemada após PM ser acionada

Uma jovem de 17 anos, que estaria em surto psicótico, foi encaminhada pela família à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Paulo Afonso com o objetivo de receber atendimento médico e medicação. No entanto, segundo familiares, a situação terminou com os funcionários da UPA acionando a Polícia Militar e a jovem sendo algemada.

A identidade da adolescente e de seus familiares será preservada em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

De acordo com informações apuradas pelo jornalismo da Ilha News, a jovem foi levada à UPA pela mãe para receber atendimento. Segundo relatos da família, entretanto, a adolescente não teria recebido a medicação esperada após ser avaliada pelo médico, o que teria contribuído para o agravamento do quadro e para um episódio de agitação dentro da unidade.

Ainda conforme os familiares, funcionários da UPA acionaram a Polícia Militar para conter a situação. Os policiais teriam chegado ao local e, segundo o relato da família, colocado a jovem no chão e utilizado algemas para contê-la.

O pai da adolescente, que terá a identidade preservada, classificou a situação como injusta e questionou a decisão de acionar a polícia diante de uma paciente que, segundo ele, estava passando por um episódio de surto.

“Ela estava em surto. Por que não aplicou uma medicação? Por que não usou os protocolos do SUS? Tinha que chamar a polícia? Por que tudo é chamar a polícia?”, desabafou.

Ainda segundo o pai, o episódio teria provocado uma piora no estado psicológico da filha. Após a ocorrência, a família precisou procurar atendimento em outra unidade de saúde.

“Minha filha piorou depois disso, não dorme mais. Tivemos que ir no hospital do BTN porque ela ficou muito ruim. Foi acompanhada do nosso psiquiatra”, relatou.

A família questiona os procedimentos adotados durante o atendimento e busca entender por que a situação evoluiu para a intervenção policial. O caso também levanta discussões sobre os protocolos utilizados em unidades de emergência diante de pacientes em crise de saúde mental e sobre a necessidade de priorizar medidas de atendimento e contenção adequadas a cada situação.

Em nota encaminhada ao Ilha News, a Secretaria Municipal de Saúde de Paulo Afonso informou que, a adolescente foi atendida e devidamente avaliada pela equipe médica, negando que tenha havido recusa de atendimento ou assistência.

Segundo a Secretaria, durante a permanência na unidade, a paciente apresentou alteração de comportamento e foram realizadas tentativas de acalmá-la. Diante da intensificação da situação e da impossibilidade de controle pelas medidas iniciais, foi necessário solicitar apoio para preservar a integridade da própria paciente, dos profissionais e das demais pessoas presentes. A pasta afirmou ainda que todos os procedimentos estão registrados e poderão ser apresentados aos órgãos competentes, se necessário, e reforçou o compromisso com um atendimento responsável, humanizado e pautado pelo respeito à dignidade e à privacidade dos pacientes.

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