No dia 17 de agosto, Dino determinou o afastamento, por 180 dias, de Daniel Itapary Brandão da presidência do TCE-MA e também de suas funções como conselheiro.
Daniel é sobrinho do governador Carlos Brandão, que já foi aliado de Flávio Dino, mas hoje está em lados opostos na política maranhense.
Segundo a decisão, o afastamento ocorreu em razão de suspeitas de tentativa de obstrução da Justiça em uma investigação sobre o assassinato de um empresário em São Luís.
Com a saída de Daniel, Marcelo Tavares da Silva assumiu a presidência do Tribunal de Contas.
E é justamente aí que a decisão de Dino passa a chamar atenção no cenário político.
Marcelo Tavares é um antigo aliado de Flávio Dino. Foi deputado estadual e comandou a Casa Civil durante o governo Dino entre 2015 e 2021. Poucos dias depois de deixar o cargo, teve sua indicação para conselheiro do TCE-MA aprovada pela Assembleia Legislativa.
Na prática, uma decisão de Dino retirou temporariamente do comando do tribunal o sobrinho de um de seus adversários políticos e abriu caminho para que um antigo integrante de seu governo assumisse a presidência.
Isso, por si só, não prova que Dino tenha tomado a decisão para beneficiar seu ex-aliado. A medida foi fundamentada em uma investigação e ainda está sujeita ao andamento do caso.
Mas o resultado político é difícil de ignorar: um adversário perde espaço e um antigo aliado de Dino ganha protagonismo no comando do Tribunal de Contas do Maranhão.
A coincidência entre a decisão judicial e o desfecho político certamente alimentará o debate sobre os limites entre decisões institucionais e seus efeitos no jogo de poder.









