O advogado-geral da União, Jorge Messias, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, tiveram uma discussão diante do presidente Lula no dia 4 de setembro, em meio à crise envolvendo as investigações do Banco Master. A informação foi revelada pelo UOL. Segundo relatos, Messias questionou diretamente Andrei: “Você está me espionando?”.
Andrei negou qualquer monitoramento e, segundo pessoas que relataram o episódio ao UOL, reagiu de forma ríspida, classificando a postura de Messias como um “chilique” e dizendo que o ministro deveria dar sermão na igreja, e não no Palácio do Planalto. Messias, por sua vez, afirmou posteriormente que as informações publicadas não eram precisas, embora tenha reconhecido a existência de divergências entre os dois.
A tensão vinha das divergências sobre o caso Banco Master. A PF havia pedido que a AGU recorresse de decisões de André Mendonça, mas Messias resistiu à iniciativa por avaliar que a medida poderia criar questionamentos jurídicos para as investigações. O episódio ocorreu um dia após a divulgação de um relatório de inteligência da PF que tratava da atuação de Mendonça e de sua relação com Messias.
Quatro dias depois da discussão, Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da PF, alegando ter identificado monitoramento sistemático e ilegal. No dia seguinte, Flávio Dino determinou a recondução do diretor ao cargo. A suspeita de monitoramento continua sendo objeto de disputa e não deve ser apresentada como fato definitivamente comprovado.







