Internacional

China descobre mina de ouro e prata no fundo do Oceano Pacífico

Uma expedição científica chinesa encontrou uma área do fundo do Oceano Pacífico Ocidental com alta concentração de metais, incluindo ouroprata. A descoberta aconteceu em agosto, durante pesquisas feitas a milhares de metros de profundidade.

Os pesquisadores encontraram o material em uma grande região de fontes hidrotermais, onde água extremamente quente e carregada de minerais sai do interior do solo oceânico. Ao sair do fundo oceânico, ela encontra a água do mar, que está muito mais fria, e esfria rapidamente.

Nesse processo, os metais presentes na água se combinam com o enxofre e formam partículas sólidas. Com o passar do tempo, esse material se acumula no fundo do oceano e pode formar estruturas conhecidas como sulfetos hidrotermais, que são minerais ricos em diferentes metais.

As primeiras análises das amostras indicaram concentrações de metais consideradas altas em comparação com depósitos de minério encontrados em terra.

A maior concentração de ouro identificada foi de 15,4 partes por milhão, cerca de 15,4 gramas de ouro em cada tonelada de minério. No caso da prata, a concentração chegou a 1.271 partes por milhão, equivalente a aproximadamente 1,27 quilo de prata por tonelada de minério.

Além desses metais, as amostras também apresentaram minerais como calcopirita, pirita e esfalerita, que estão associados principalmente a elementos como cobre, ferro, zinco e chumbo.

Song Shiji, vice-diretor do Instituto de Engenharia Oceânica da Universidade Tsinghua e um dos responsáveis pelo projeto, afirmou que a grande área identificada apresenta “valor de exploração extremamente alto”.

Expedição fez sete mergulhos em águas profundas

A expedição partiu de Shenzhen, na China, em 10 de agosto, a bordo do navio de pesquisa oceanográfica Xiang Yang Hong 10. Durante 18 dias de trabalho, a equipe fez sete mergulhos em águas profundas.

A área pesquisada fica em uma bacia de retroarco, uma região formada pela movimentação das placas tectônicas, no Pacífico Ocidental.

Antes da expedição, os pesquisadores já haviam conduzido mais de dez estudos na região. Esses trabalhos encontraram dezenas de pontos onde água quente e rica em minerais saía do fundo do oceano. Esses locais estavam entre 700 e 1.500 metros de profundidade, e a água liberada pelas fontes apresentava temperaturas superiores a 315°C.

Equipamento ajudou a encontrar e coletar os minerais

A localização da área foi facilitada por um equipamento desenvolvido pela equipe da Universidade Tsinghua para pesquisar e coletar materiais no fundo do mar.

O sistema permite observar o terreno submarino e retirar amostras no mesmo local. O desenvolvimento do equipamento começou em 2015 e levou mais de oito anos.

Uma das dificuldades desse tipo de pesquisa é que os cientistas normalmente precisam primeiro encontrar uma região com sinais de minerais e depois posicionar outro equipamento exatamente naquele ponto para fazer a coleta. O novo sistema permite juntar essas duas etapas.

Durante os testes, o equipamento chegou a operar a 2.500 e 4.500 metros de profundidade. Em uma missão anterior no sudoeste do Oceano Índico, também foi usado para retirar uma amostra de rocha a 2.539 metros de profundidade.

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