O jornalista Moisés Faraj, da Ilha News, criticou nesta segunda-feira (10/08) a postura adotada pela vereadora Cícera Macário (PSDB) após o embate protagonizado por ela e pelo vereador Jailson Oliveira (PP), líder da oposição, durante a sessão da Câmara Municipal de Paulo Afonso realizada no último dia 3 de agosto.
Durante o programa PA Alerta, Faraj avaliou que, ao se colocar na condição de vítima diante das declarações feitas pelo parlamentar, Cícera estaria, em sua avaliação, diminuindo a própria força política e até mesmo desvalorizando a representatividade conquistada nas urnas.
Para o jornalista, o Parlamento deve ser, por natureza, um ambiente de confronto de ideias, críticas e posições divergentes.
“A tribuna é o lugar sagrado da democracia. Lá na Câmara é justamente o ambiente do debate político”, afirmou.
Na avaliação de Faraj, Jailson Oliveira não teria tentado impedir que Cícera Macário se manifestasse, mas apenas respondido politicamente às críticas feitas anteriormente pela vereadora.
“Jailson não quis calar a vereadora. Ele foi para o embate. Da mesma forma, Cícera tem o direito de debater contra Jailson. Na arena política, todos são iguais”, declarou.
O jornalista também criticou o que classificou como uma tentativa de transformar o episódio em uma discussão baseada em uma “cartilha identitária”.
Para Faraj, a vereadora possui trajetória e votação suficientes para sustentar suas posições políticas sem recorrer ao que ele considera uma postura de vitimização.
“Cícera foi uma das vereadoras mais bem votadas de Paulo Afonso, tem seu mérito. Você não precisa disso”, afirmou.
Ao comentar o episódio ocorrido no plenário, Moisés Faraj afirmou que o confronto entre os parlamentares, dentro dos limites do debate político, faz parte do funcionamento de um Legislativo.
“O que eu vi na Câmara foi o mais puro suco da democracia. O Parlamento é para isso: parlar. Tem uns que são mais incisivos no discurso, tem outros que são mais calmos. Essa é a magia da democracia”, disse.
O comunicador também afirmou que a sociedade estaria cansada de discursos baseados no vitimismo, avaliando que esse tipo de postura pode prejudicar o debate político no âmbito municipal.
Entenda o Caso
O episódio teve início na sessão da Câmara Municipal do dia 3 de agosto. Na ocasião, Cícera Macário, integrante da base governista, afirmou, sem citar nomes, que existiria uma “turma do quanto pior, melhor”.
Jailson Oliveira, líder da oposição, afirmou ter se sentido atingido pela declaração e respondeu durante seu pronunciamento.
Ao criticar a vereadora, o parlamentar mencionou uma visita recente ao bairro Rodoviário, onde Cícera reside, onde, segundo ele, teria realizado um trabalho com moradores relacionado à área da saúde.
Jailson afirmou que a vereadora deveria ouvir as demandas e opiniões dos moradores sobre sua atuação parlamentar. Na sequência, disse que Cícera seria uma vereadora de “um mandato só”.
As declarações provocaram uma reação posterior da vereadora, que voltou ao assunto nesta segunda-feira (10), durante sua manifestação na Câmara.
Moisés Faraj também comentou a possibilidade de o episódio resultar em uma representação contra Jailson Oliveira no Conselho de Ética da Câmara Municipal.
Para o jornalista, uma medida dessa natureza seria desproporcional diante do contexto de um embate político ocorrido durante uma sessão legislativa.
“Isso é um exagero. Nenhum parlamentar pode ser tolhido ou ser caçado por causa de um embate na Câmara”, afirmou.
Na avaliação editorial do comunicador, divergências, críticas e até discursos mais duros fazem parte da atividade parlamentar, desde que permaneçam dentro dos limites institucionais e legais.
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