Paulo Afonso

Conferência Municipal de Saúde foi marcada pela pluralidade e a defesa do SUS

A 9ª Conferência Municipal de Saúde de Paulo Afonso consolidou um pacote de 20 propostas e quatro diretrizes que servirão de base para as discussões sobre o futuro do SUS na Bahia. O evento, que debateu o tema “Saúde, Democracia, Soberania e SUS: cuidar do povo é cuidar de Paulo Afonso”, reuniu 120 representantes de forma paritária entre gestores, trabalhadores do setor, prestadores de serviço e usuários da rede pública.

Os resultados e as diretrizes aprovadas pela plenária serão agora inseridos no Sistema de Conferências de Saúde do Estado da Bahia. As demandas serão defendidas por uma comitiva local na 12ª Conferência Estadual de Saúde, agendada para 2027, que serve como etapa preparatória para o encontro nacional.

Jucicleide Bezerra dos Santos, presidente do Conselho Municipal de Saúde, que reforçou a importância do fórum como espaço de deliberação legítima da sociedade civil. “A conferência é o momento máximo em que a comunidade dita os rumos da saúde que deseja. Aprovar essas propostas de forma coletiva mostra que Paulo Afonso sabe onde doem suas feridas e o que precisa ser feito para fortalecer o SUS”, destacou.

O prefeito Mário Galinho endossou o compromisso do Executivo em acolher as demandas da população e converter as discussões em políticas públicas viáveis para o município. “Cuidar do povo é o compromisso central da nossa gestão. Estarmos aqui hoje, ao lado de trabalhadores e usuários, ouvindo suas reais necessidades, é o que garante um governo democrático e uma saúde pública mais humana e eficiente para Paulo Afonso”, afirmou.

Para a secretária municipal de saúde, Isabele Bentemuller, o encontro funcionou justamente como essa ferramenta de escuta ativa. “É um espaço de escuta participativa e construção coletiva, onde a população tem voz, vai propor, vai elaborar, vai discutir melhorias a saúde pública do nosso município. Então esse momento é um momento de escuta julgo como fundamental”, assinalou a secretária.

A mesa de autoridades buscou refletir essa pluralidade, contando ainda com o representante do Estado, Adesival de Castro; com Elânia dos Santos Oliveira, usuária do SUS que convive com Esclerose Múltipla Primária Progressiva; e com Denise Yatana, liderança indígena da tribo Kariri-Xocó.

Os quatro eixos do debate

A palestra magna foi ministrada pelo biomédico sanitarista Everton Philipe, que abordou a saúde pública como vetor de transformação social. “A proposta da palestra foi passar uma vivência do SUS, da saúde pública, como forma de desenvolvimento e transformação coletiva na sociedade do Brasil, da Bahia, de Paulo Afonso”, explicou.

Após a conferência inicial, os 120 participantes foram divididos em quatro grupos de trabalho para formular as propostas, divididas nos seguintes eixos temáticos:

Eixo 1: Democracia, saúde como direito e soberania nacional;

Eixo 2: Financiamento adequado e sustentabilidade fiscal e social do SUS;

Eixo 3: Emergências climáticas, justiça socioambiental e a defesa da vida;

Eixo 4: Modelos de gestão, territórios integrados e cuidado integral.

Cada grupo redigiu cinco propostas e uma diretriz. Todos os pontos foram debatidos, ajustados e votados coletivamente durante a plenária final do evento.

Delegação para 2027

Para garantir a defesa das propostas de Paulo Afonso na etapa estadual em 2027, o fórum elegeu 17 delegados.

A composição da comitiva seguiu o critério de paridade exigido pelos conselhos de saúde. Serão oito representantes dos usuários do SUS, quatro representantes da gestão pública, quatro trabalhadores da saúde e um suplente.

 

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