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Sigilo no Alvorada: governo esconde visitas de lobista ligada a Lulinha

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) se recusou a informar quantas vezes Roberta Luchsinger esteve na residência oficial da Presidência e por quanto tempo os registros permanecerão sob sigilo. Segundo o órgão, a divulgação das informações poderia gerar riscos à segurança de autoridades e expor aspectos da intimidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A justificativa, porém, é questionada porque a própria regra utilizada para restringir os dados prevê exceções relacionadas a pessoas que representam interesses privados perante o governo. Roberta é citada em investigações da Polícia Federal que apuram uma suposta atuação para intermediar acesso ao governo.

Mensagens atribuídas a Roberta e reveladas durante as investigações indicam que, em outubro de 2023, ela afirmou a um contato que estava na casa do “pai do Fábio”, em um dia no qual a agenda oficial de Lula não registrava compromisso no Alvorada. A PF também apura uma suposta sociedade informal envolvendo Roberta, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete conhecido como Marcola. Os envolvidos são investigados e não foram condenados.

O episódio ganhou novo peso depois de Lula afirmar, em agosto, que nunca havia visto Roberta. Posteriormente, porém, circularam fotografias dos dois juntos. O governo também enfrenta questionamentos sobre a diferença de tratamento em relação aos registros de visitas: em 2023, a gestão Lula determinou a divulgação de informações que estavam sob sigilo relacionadas às visitas de Michelle Bolsonaro ao Alvorada.

Procurada em pedidos semelhantes, a administração pública, por meio de órgãos como Anvisa e Previdência, forneceu informações sem aplicar o mesmo nível de restrição. Para a Transparência Brasil, segundo o relato de O Globo, a negativa do GSI é “constrangedora” para um governo que se apresenta como defensor da transparência.

A situação coloca novamente sob questionamento os critérios utilizados pelo governo para classificar informações sobre visitas à residência oficial do presidente. O GSI, por sua vez, não detalhou qual grau de sigilo foi aplicado aos registros.

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