Poder
Política

Patrulha ideológica: artistas são cobrados por não declarar voto em Lula

A pressão sobre artistas que não declaram apoio a Lula (PT) ganhou força após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. O humorista Vinicius Antunes, conhecido como Cacofonias, publicou montagens que retratam famosos como pessoas desaparecidas em caixas de leite. Entre os citados estão Selton Mello, João Gomes, Gisele Bündchen e Vini Jr.

O ator José de Abreu, apoiador declarado de Lula, também cobrou publicamente colegas como Selton Mello e Carolina Dieckmann. A cobrança incluiu referências ao filme Ainda Estou Aqui, protagonizado por Selton, como argumento para questionar a ausência de um posicionamento político do artista. O episódio reacendeu o debate sobre a tentativa de transformar a manifestação eleitoral de celebridades em uma espécie de obrigação pública.

O caso de João Gomes ganhou contornos mais delicados após sua esposa, Ary Mirelle, afirmar que o cantor enfrenta problemas de saúde mental desde os ataques sofridos após uma manifestação política anterior. Ela também relatou que a família recebe ameaças envolvendo os dois filhos pequenos. As declarações foram feitas nas redes sociais em resposta a cobranças para que o artista revelasse sua posição na disputa eleitoral.

A pressão chamou a atenção até de Mestrinho, parceiro musical de João Gomes e eleitor declarado de Lula. Ele defendeu o direito de cada pessoa decidir se deseja tornar seu voto público, independentemente de suas preferências políticas. A manifestação evidencia que a defesa da liberdade de escolha pode ultrapassar as divisões partidárias.

A Constituição Federal garante o voto direto e secreto, protegido como cláusula pétrea. O princípio vale para todos os cidadãos, inclusive artistas e influenciadores. Em uma democracia, apoiar um candidato é um direito, mas não declarar preferência também é uma escolha legítima. Cobranças públicas, constrangimentos e ameaças não substituem o debate de ideias nem justificam a tentativa de impor posicionamentos políticos.

Leia também