Por Suhely Bueno
O histórico de apoio público do jurista Fábio Medina Osório à Operação Lava Jato, somado à declaração de apoio do ex-presidente Michel Temer à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), colocou o ex-ministro-chefe da Advocacia-Geral da União na mira de ataques de setores da esquerda.
Medina Osório foi ministro-chefe da AGU em 2016, no governo Temer. Segundo registros de sua trajetória profissional, nesse período ele se reuniu diretamente com integrantes da força-tarefa da Lava Jato, entre eles o então procurador Deltan Dallagnol, para definir diretrizes conjuntas de combate à corrupção e mover ações com base nas investigações de Curitiba.
Em junho de 2019, logo após virem a público as mensagens atribuídas a Sergio Moro e Deltan Dallagnol, no episódio que ficou conhecido como Vaza Jato, o jurista se posicionou de forma enfática, antes de qualquer decisão do Supremo sobre o tema. Em entrevista ao portal O Antagonista, defendeu que o Supremo Tribunal Federal não poderia usar as mensagens vazadas para anular condenações da operação. Para ele, o material não tinha validade como prova, e admiti-lo com esse objetivo romperia a jurisprudência pacificada da Corte e geraria “uma monstruosidade jurídica”.
As anulações das condenações do presidente Lula só viriam em 2021. Primeiro, o ministro Edson Fachin entendeu que a Justiça Federal de Curitiba não era competente para julgar os casos. Depois, a Segunda Turma do STF declarou a suspeição de Sergio Moro, julgamento em que parte dos ministros fez referência às mensagens.
Para os aliados ouvidos pela reportagem, esse alinhamento histórico com a Lava Jato ajuda a explicar por que o nome de Medina Osório passou a ser associado, de forma equivocada e deliberada, ao caso Banco Master, logo após Temer anunciar apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno. Segundo as mesmas fontes, o jurista colaborou com auditorias internas de bancos para que as irregularidades atribuídas a Daniel Vorcaro fossem investigadas.









