Nacional

MP liga Deolane a núcleo financeiro do PCC e pede prisão

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) pediu nesta quinta-feira (20) que a Justiça mantenha a prisão preventiva de Deolane Bezerra e de outros réus da Operação Vérnix. Na manifestação, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) aponta a influenciadora como a principal integrante do núcleo financeiro de um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo O Tempo, que teve acesso ao pedido, os promotores sustentam que continuam presentes os motivos que levaram às prisões, entre eles a garantia da ordem pública e da aplicação da lei. A Justiça ainda não decidiu se Deolane continuará presa.

Na divisão apresentada pelo Ministério Público, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como principal líder do PCC, aparece no núcleo decisório. O irmão dele, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, é colocado no operacional. Deolane seria responsável pela parte financeira, com atuação na ocultação e dissimulação de patrimônio de origem ilícita, segundo a acusação.

Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Herbas Camacho, também réus no processo, continuam foragidos. O Gaeco cita a situação dos dois como outro argumento para manter as prisões preventivas.

Por que a prisão está sendo analisada agora

Deolane está presa desde 21 de maio, quando foi alvo da Operação Vérnix em Alphaville, na Grande São Paulo. Ela foi detida em uma ação do Ministério Público e da Polícia Civil que apura lavagem de dinheiro do PCC.

O pedido apresentado agora ocorre porque as prisões preventivas precisam passar por uma reavaliação periódica. Deolane completa cerca de 90 dias presa nesta semana.

Ela deixou de ser apenas investigada em junho. A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou Deolane, Marcola e outros acusados réus por organização criminosa e lavagem de dinheiro. A abertura da ação penal não significa condenação.

A acusação sustenta que empresas e pessoas usadas como intermediárias ajudavam a dar aparência legal a dinheiro de origem criminosa. Documentos fiscais, movimentações bancárias e relatórios financeiros fazem parte das provas reunidas no processo.

Investigações anteriores apontaram ainda que Deolane movimentou cerca de R$ 140 milhões em um período considerado incompatível com valores declarados oficialmente. A Promotoria afirma que empresas ligadas à influenciadora apresentavam problemas como endereços inconsistentes e falta de estrutura compatível com as atividades registradas. A defesa contesta as acusações.

Defesa nega ligação com organização criminosa

Deolane nega ter lavado dinheiro para o PCC. A defesa sustenta desde o início do processo que ela não integra organização criminosa e que as movimentações apontadas pelos investigadores podem ser explicadas por atividades profissionais e empresariais.

Em audiência de custódia, a influenciadora afirmou que parte do dinheiro questionado tinha relação com sua atuação como advogada. Deolane chorou durante a audiência e disse que havia sido presa enquanto exercia a profissão.

Marcola também já negou conhecer a influenciadora. Em maio, ele afirmou à própria defesa que desconhecia Deolane e outros investigados da Operação Vérnix.

A defesa de Deolane ainda não apresentou, em fonte pública localizada até a publicação desta reportagem, um novo posicionamento específico sobre o pedido protocolado nesta quinta-feira.

Justiça já negou pedidos de liberdade

Deolane permanece presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.

Desde maio, a defesa tentou derrubar a prisão ou substituí-la por prisão domiciliar. Em junho, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou por unanimidade um pedido de liberdade.

Em julho, o Tribunal de Justiça de São Paulo também negou um novo habeas corpus. A relatora, desembargadora Renata Cantello, entendeu que não havia ilegalidade capaz de justificar a soltura ou a transferência para prisão domiciliar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Leia também