O pesquisador João Batista Araujo e Oliveira, presidente do Instituto iDados e doutor em Pesquisa Educacional pela Florida State University, divulgou uma nota técnica criticando os critérios utilizados pelo governo federal para medir a alfabetização infantil no Brasil. Segundo ele, o anúncio de que 66% das crianças estariam alfabetizadas até o 2º ano do ensino fundamental em 2025 se apoia em métricas frágeis e conceitos pouco objetivos.
Uma das principais críticas recai sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que, segundo o pesquisador, mistura diferentes conceitos ao tratar alfabetização, compreensão textual e práticas de letramento como se fossem equivalentes. Para Oliveira, alfabetizar significa dominar o sistema alfabético de escrita, algo diferente da simples interpretação de textos.
O especialista também questiona o critério de 743 pontos do Saeb definido pelo Inep. Segundo ele, a metodologia utilizada carece de transparência científica e acaba produzindo indicadores pouco precisos. Em comparação, Oliveira afirma que países desenvolvidos adotam avaliações mais objetivas e aplicadas já no 1º ano escolar, com base na Ciência Cognitiva da Leitura.
O debate reacende discussões sobre qualidade da educação básica, impacto da pandemia no aprendizado e a necessidade de indicadores mais claros para medir o desempenho real dos estudantes brasileiros.










