O clima de divisão no PT ganhou novos contornos após o presidente nacional da legenda, Edinho Silva, decidir encaminhar à Comissão de Ética os pedidos de expulsão contra o prefeito de Maricá (RJ) e vice-presidente do partido, Washington Quaquá. A disputa, que envolve denúncias acumuladas desde 2021, transformou divergências internas em um confronto público entre duas lideranças da sigla. As informações são da coluna de Vera Rosa, do Estadão.
Edinho defende uma solução negociada para o impasse, mas advertiu que, sem acordo, o rompimento poderá ocorrer de forma litigiosa. Entre os episódios que motivaram os questionamentos estão as manifestações de Quaquá em defesa dos irmãos Brazão no caso Marielle Franco, declarações sobre mortes durante operações policiais no Rio de Janeiro e uma fotografia em que aparece abraçado ao deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ).
Quaquá reagiu às movimentações e acusou Edinho de tentar evitar uma disputa pelo comando do partido. O prefeito também classificou o dirigente como alguém que pretende transformar o PT em uma organização “autoritária, fascista e stalinista”.
O conflito também envolve divergências sobre a estratégia eleitoral. Quaquá criticou a comunicação adotada por Edinho durante a campanha, argumentando que o partido deveria priorizar questões cotidianas, como o preço dos alimentos, em vez de temas como terras raras. Também questionou a distribuição de recursos para a campanha e citou uma arrecadação de R$ 5 milhões pelo PT de Araraquara, cidade governada anteriormente por Edinho, enquanto, segundo ele, faltava material de campanha em outros estados.
Outro ponto de tensão foi o resultado eleitoral em Maricá, município administrado por Quaquá, onde Lula não conseguiu vencer a disputa.
Apesar da troca de acusações, os pedidos de expulsão ainda dependem de análise da Comissão de Ética do PT. Até o momento, as alegações apresentadas pelos dois lados não representam conclusões definitivas sobre as responsabilidades de cada dirigente.









